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Érico Andrade lê Um Antimanual de Psicanálise, de Eduardo Leal Cunha

15 de set.
2 min de leitura

Antes de Um Antimanual de Psicanálise chegar às mãos dos leitores, ele passou pelas mãos de Érico Andrade.


Filósofo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisador do CNPq, psicanalista em formação e autor de Negritude sem Identidade e Cartas a um velho terapeuta, Érico escreveu o texto que acompanha a edição brasileira do livro.


Ele oferece uma leitura do livro de Eduardo Leal Cunha sem querer explicá-lo ou encerrá-lo. Em vez disso, acompanha algumas das perguntas que atravessam a obra e ajuda a situar o lugar de onde ela fala.


Elegante porque é circunspecto com o que é central na clínica e na teoria. Elegante porque é dito de forma clara, como quem vasculha sem medo os vestígios do que ainda pode ser emancipatório na psicanálise. Preciso porque, como uma faca amolada, tece o corte certo em todo excesso que uma verborragia teórica nutre como se a erudição pudesse suplantar a força das ideias. Necessário porque contrariar a lógica do manual é a urgência do tempo presente no qual tanto se anunciam muitas entradas para a psicanálise, facilitadas por seus promotores de venda, quanto se recusa a colocar em xeque, na sua radicalidade devida, o potencial criativo da clínica contemporânea.


Uma clínica, Eduardo Leal Cunha faz questão de nos lembrar, ainda muito identificada com os seus heróis do ultramar, aos quais prestamos a nossa "devoção". Podem até variar os autores com os quais os psicanalistas formam os seus exércitos, mas a repetição do comportamento servil, como diz o autor, uma transferência servil, ainda impera no Brasil.


Cabe-me aqui, como no poema de João Cabral de Melo Neto, procurar catar as palavras melhores num texto vasto em qualidade e com perguntas e provocações tão incontornáveis para continuar tecendo, junto com este belíssimo trabalho, o amanhã. Este amanhã pode ser designado também como esperança. Pode ser também o verbo esperançar. Só quem acredita profundamente na psicanálise é capaz de escrever um texto tão contundente e com uma chamada, pasmem, para a felicidade.


 
 
 

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